É Assim que Acaba

agosto 31, 2018



*resenha postada originalmente no blog Estante Diagonal*

Esse livro é sobre amor, sobre abusos, sobre luta e sobre escolhas. Lily conheceu desde cedo a violência, não por ter vivenciado na pele, mas por ter presenciado em casa por meio de seu pai abusivo. Sua mãe sempre sofreu agressões físicas e psicológicas e Lily nunca entendeu porque a mãe nunca deixou o pai e sempre escondeu isso de todos. O pai de Lily era prefeito da cidade onde ela morava quando criança e tinha uma imagem na comunidade de pai e marido dedicado. Mas Lily sabia a verdade.

Um dia Lily conhece um garoto que passa a morar na casa vizinha da sua, que está abandonada. Atlas não tem um lar, por isso sua única opção foi se abrigar naquela casa sem eletricidade, nem água, nem aquecimento. Por isso Lily se compadece da situação dele e passa a ajudá-lo com comida, roupas limpas e uma amizade. Porém, um dia Atlas precisa se mudar e os dois nunca mais se encontram. Anos se passam e Lily se muda para Boston. Lá ela conhece Ryle, um neurocirurgião que mexe muito com os sentimentos dela. E tudo parece perfeito demais até Atlas ressurgir em sua vida e abalar seus sentimentos.

Eu diria que a maioria dos livros da Colleen Hoover segue uma espécie de padrão de acontecimentos. Começam de um jeito inocente e vão evoluindo para algo totalmente inesperado e denso. Mas no caso de É Assim que Acaba as coisas são intensas e inesperadas desde o começo. É um livro forte, com personagens reais demais. São pessoas que vemos todos dias, passando situações familiares, que estão próximas da gente e que vivem exatamente situações como esta.



Quando comecei a leitura eu tinha uma noção da temática, mas não esperava essa carga emocional tão intensa. E é claro que sempre me emociono com os livros da autora, ela está sempre trazendo os assuntos que ninguém mais quer falar e acho até que esse livro se compara com Um Caso Perdido no quesito "impacto emocional". E é isso o que eu mais gosto na Colleen, ela não tem medo de escrever sobre coisas difíceis e feias. Elas existem na vida real e devem ser expostas e debatidas na ficção também.

Uma coisa que a própria personagem aponta é que as pessoas sempre questionam a vítima do porquê ela não deixa o marido ou namorado. E, muitas vezes, essas mesmas pessoas se esquecem de perguntar porque o homem é tão agressivo e cruel. É a velha mania que as pessoas têm de sempre culpar a vítima ao invés do verdadeiro culpado. E é exatamente esse um dos motivos de essas vítimas nunca denunciarem uma agressão. Por medo de serem julgadas.

Por este motivo acho esse livro tão importante. É um exercício de empatia lê-lo e se colocar no lugar da vítima e entender como esses relacionamentos começam. Porque o agressor não é um cara louco. Ele é um cara comum, que pode ter uma profissão comum, com amigos comuns e vida comum. Esse lado descontrolado só é conhecido por suas vítimas. Por fora ele parece bem "normal".

É Assim que Acaba é um misto de sentimentos, personalidades e acontecimentos. Você se pega no meio do conflito de emoções e é fácil se identificar com a personagem principal. A Colleen tem essa característica de nos fazer sentir exatamente o que os protagonistas estão sentindo. Você entende o lado do agressor, mesmo não concordando e entende o lado da vítima e fica triste por ela. É uma viagem de cabeça nesse dilema entre entender os problemas emocionais do agressor e querer que Lily largue ele e fique bem sozinha. 



Mas em nenhum momento eu julguei as atitudes de Lily e de sua mãe. Porque o que temos que entender nessas situações é que quem está errado é o agressor e nunca a vítima. Por uma série de motivos as vítimas não conseguem se separar dos agressores. Seja por falta de estabilidade financeira, seja pelos filhos ou só por amar a pessoa e acreditar com todas as forças que aquilo nunca mais vai acontecer.

Enfim, esse livro tem que ser lido por todo mundo. Como a própria autora disse, esse livro não é somente um entretenimento. É uma denúncia. Uma forma de expor situações de abuso e violência doméstica. Um jeito de mostrar o lado das vítimas, o que elas pensam quando estão nesse tipo de relacionamento. É uma lição de empatia e empoderamento feminino. É uma daquelas histórias em que a personagem não precisa ser salva por um príncipe encantado pois ela salva a si mesma. É um incentivo para qualquer uma que esteja nessa situação ou em um relacionamento abusivo, mesmo que não haja agressão física. E é, principalmente, um alerta para toda a sociedade.

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1 comentários

  1. Depois que li a resenha me interessei. Estou buscando por coisas mais "true" assim para ler.
    A resenha ficou muito boa e bastante detalhada sem dar spoiler e me deixou bem curiosa para ler o livro.

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